 Diário de Bordeaux
A sommelier Lis Cereja, dona da enoteca Saint Vin Saint, em São Paulo, faz a viagem dos sonhos de qualquer enófilo
Texto e fotos Lis Cereja
Dez dias para conhecer as regiões de Bordeaux, Perigord e dar uma escapada ao Vale do Loire, em busca de biodinâmicos. Uma viagem cheia de contrastes e descobertas: entre um gole e outro de vinhos excepcionais, erguiam-se cidades medievais nos topos das montanhas, surgiam restaurantes nos cantos mais escondidos, festas inesperadas e regiões vinícolas distintas a cada poucos metros. Um banquete de sabores, aromas e cultura, para deixar qualquer pessoa encantada. Afinal, é difícil não se apaixonar por uma terra onde o foie gras é vendido na beira de estradas e cada cidadezinha tem o seu próprio vinho e seu próprio queijo...Vamos esclarecer uma coisa: eu sempre fui Borgonha de carteirinha. Há uma rivalidade clássica no mundo do vinho: os que são Borgonha e os que são Bordeaux. Pois bem: eu tive minhas convicções abaladas, com enorme prazer. E descobri que existe lugar para os dois dentro de meu coração enófilo...
PRIMEIRO DIA: JANTAR EM CAHORS
Depois de onze horas dentro de um avião, meu maior desejo era tomar uma bela taça de vinho, acompanhada de um bom foie gras. Cidade escolhida: Cahors. Situada no sudoeste francês, na região do Perigord, é conhecida por seus tintos negros elaborados com a uva Malbec - carnudos, saborosos, quase misteriosos em sua profundidade e sem nenhuma similaridade com os argentinos da mesma cepa. O resultado desse primeiro jantar foi uma tremenda insônia, pois, na minha ânsia de degustar a França, acabei com 12 escargots gordinhos à bourguignone , muito pão de campanha, dois enormes foie gras mi-cuit e vários mililitros de Ch. Haut Monplaisir Prestige 2005 em meu pequenino estômago.
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