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Alta Gastronomia
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Pratos clássicos

Ícones da cidade


Um filé mignon ao alho e alho, um bolo de carne à parmeggiana, uma feijoada, um camarão à provençal e uma picanha fatiada: carros-chefe de restaurantes com no mínimo 50 anos de bons serviços prestados à gastronomia paulistana, esses provavelmente são os cinco pratos que melhor se identificam com o lado gourmet de Sampa. São verdadeiras instituições da cidade. Vamos revisitá-los?


Por Celso Arnaldo Araujo Fotos Thais Antunes

Feijoada
(Bolinha)

Se domingo é dia de missa, quarta e sábado também são sagrados em São Paulo: é dia de feijoada, em virtualmente qualquer boteco de São Paulo e, já há alguns anos, também em boa parte dos restaurantes top da cidade. Mas em São Paulo há um lugar onde todo dia é dia santo de feijoada: o Bolinha. O restaurante da Avenida Cidade Jardim, hoje um dos metros quadrados mais valorizados do Brasil, foi aberto em 1946, com um cardápio tradicional. Era apenas mais uma pizzaria com menu à la carte. Isso mudaria em 1952. O dono do Bolinha, o rotundo taxista Affonso Paulillo, cujo apelido dava nome à casa, batia uma bolinha no campo de várzea situado ali do lado, atrás do restaurante Pandoro (sim, um dia houve campos de várzea nos Jardins!) e, num dia especialmente feliz para seu time, decidiu oferecer à equipe um prato superespecial: uma feijoada. O festim de feijão e carnes fez tanto sucesso que começou a ser servido na casa às quartas e sábados. Mas a grande virada se deu em 1976, quando a feijoada do Bolinha passou a ser feita diariamente. José Orlando e Paulo Affonso, filhos do Bolinha, comandam a casa hoje. Num sábado friorento, chegam a servir 800 pessoas - que pagam, per capita, R$ 70, de 2ª a 6ª, e R$ 82, aos sábados, para comer à vontade. Todos os dias, depois das 19 horas, mulher não paga, acompanhado de um homem pagante. No verão, saem mais os outros pratos do menu - mas, indo ao Bolinha, a feijoada acaba sendo um must, em qualquer tempo. E o que tem a feijoada do Bolinha para ser tão especial? É uma das últimas grandes feijoadas da cidade servidas em cumbuca - e preparadas em fogão a lenha. São 48 horas de preparo para as dez variedades de carnes (pé, rabo, orelha, costela salgada, carne seca, lingüiça portuguesa, paio, lombo defumado, língua defumada e bacon). E há a Feijoada Magra, uma versão preparada com pouquíssima gordura e só carnes nobres. Treze guarnições a acompanham, incluindo uma jarra de batida de limão.
Av. Cidade Jardim, 53 - Jardim Europa - Tel.: (11) 3061 2010

Cumbucas no fogão a lenha, que chegam à mesa crepitantes: sucesso do Bolinha há 57 anos

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