Lanches Delícias no pão
 Adoráveis sanduíches
Simplicidade, fartura e tradição - os elementos que fizeram destes sanduíches verdadeiras instituições de São Paulo. Repletos de personalidade (e alguns segredinhos!), este quinteto tem há dácadas uma legião de fãs Por: Cintia Oliveira Fotos: Daniel Cancini
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| Nada menos que 350 gramas de mortadela no pão fresquinho. O Bar do Mané consagrou a simplicidade como requinte |
Sanduíche de Mortadela do Bar do Mané
Mortadela de respeito
Nada mais simples: um pão francês estalando de fresco, copiosamente recheado com mortadela Ceratti. Só isso. Mais nada. E nada mais emblemático: o Sanduíche de Mortadela do Bar do Mané, que hoje é servido em virtualmente todas as lanchonetes do Mercado Municipal, talvez seja o mais famoso lanche de São Paulo. O sanduíche enorme, com 350 gramas de mortadela, nem sempre teve essa fartura toda. "Antigamente, eram apenas duas fatias de mortadelas perdidas entre duas fatias de pão", admite o atual proprietário do Bar do Mané, Marco Antonio Loureiro. Dizem que esse upgrade começou como brincadeira entre os funcionários e um cliente reclamão. "Uma vez, de brincadeira, colocaram bastante mortadela no sanduíche de um cliente que reclamava sempre da falta de recheio. Exageraram. Ele adorou. E então encostou outro cliente no balcão e pediu um lanche igual", conta Marco. Na década de 70, a fama do "sanduíche de mortadela do Mercadão" espalhouse pelo mercado e pela cidade. A singeleza é sua marca registrada. Por isso, não tem mistérios. "O segredo é ter uma mercadoria boa e trabalhar com ela fresquinha. Fatiada na hora. Esse conjunto é que traz um bom resultado", diz.
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| O Frevo ficou conhecido como o endereço do beirute na cidade. Leva queijo prato, rosbife, tomate e orégano, vai ao forno e o resultado é um sanduíche crocante e delicioso |
Beirute do Frevo
14 milhões
O beirute do Frevo, a tradicional casa de lanches nas imediações da Rua Augusta que os clientes tratam como Frevinho, surgiu na década de 50 e hoje é considerado um dos ícones da cidade. À base de rosbife, queijo prato, tomate e orégano, o sanduíche parece simples à primeira vista, mas os detalhes na hora do preparo é o que faz toda a diferença. Depois de montado, o sanduíche vai ao forno - o pão sírio crocante e o queijo derretido estão entre os segredos do beirute. Segundo o proprietário da casa, Roberto Frizzo, a qualidade do rosbife, feito com lagarto, está entre os inúmeros segredos do sanduíche. "A peça tem de ter corpo, para que fique rosada por dentro. É isso que garante a maciez da carne", explica ele. Em 2006, pela comemoração dos 50 anos do Frevo, Roberto Frizzo decidiu fazer uma estimativa de quantos sanduíches vendeu durante toda sua história. Desde a inauguração, teriam sido cerca de 14 milhões de beirutes. "Se colocados lado a lado seria quase de São Paulo a Olinda, ou melhor, da terra da garoa à terra do frevo", brinca ele.
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| Fatias finas de rosbife, tomate e pepino somados a uma farta mistura de queijos fundidos formam o Bauru do Ponto Chic, um dos sanduíches mais tradicionais da cidade |
Bauru do Ponto Chic
Uma lenda no Paissandu
O sanduíche à base de rosbife, tomate, pepino e uma mistura de queijos fundidos (prato, gouda, estepe ou suíço) é outro ícone da cidade. Registra a crônica do Ponto Chic, restaurante há 87 anos instalado no Largo do Paissandu, centro de São Paulo, que seu célebre bauru nasceu de uma ideia de um cliente, o então estudante de Direito e radialista Casemiro Pinto Neto, conhecido como Bauru, sua cidade de origem. Com a falta de presunto para a confecção do misto quente (na II Guerra, sumiram os embutidos), Bauru sugeriu ao chapeiro usar rosbife. Criativo, pediu para acrescentar queijo derretido e tomate. Mais tarde, alguém sugeriu pepino. E a receita do Bauru do Ponto Chic chegou até os dias de hoje intacta e ainda saborosíssima, embora o ponto já não seja tão chique quanto nos anos 20. Nos três endereços do Ponto Chic saem cerca de 20 mil baurus por mês.
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