Teste Vinhos biodinâmicos
 Degustação dinâmica
Uma degustação dos melhores vinhos biodinâmicos do mundo Por Celso Arnaldo Araujo - Fotos Raul Zito
A confusão de conceitos ainda ronda os vinhos ditos "naturais": orgânicos, biológicos, cósmicos, biodinâmicos, tudo é a mesma coisa? Não. E, para provar, na prática, a diferença de características entre esses novos produtos, GoWhere Gastronomia reuniu quatro enófilos apaixonados por vinhos biodinâmicos - resumidamente, a melhor e mais saudável expressão do terroir, já assumida por grifes de peso, como o Domaine de La RomanéeConti. Em torno de seis rótulos premium de primeiríssima cepa, eles se deliciaram com os sabores originais (e às vezes inusitados) desses vinhos que brotam da terra sem intermediários - e começam a conquistar o paladar dos mais exigentes bebedores. A degustação dos "bio" foi também uma aula sobre essa nova era do vinho
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O ambiente não poderia ser mais propício: a Casa do Porto, uma das mais requintadas butiques de vinho de São Paulo, cujo principal sommelier, Ariel Pérez Navarro, é outro apaixonado por biodinâmicos. Coube a ele a seleção dos rótulos provados na noite. Antes do primeiro gole, porém, convém colocar os pingos nas uvas. Existem diferenças entre vinhos orgânicos e biodinâmicos? Sem dúvida. Orgânicos são vinhos produzidos com uvas de vinhedos orgânicos, ou seja, que não usam produtos químicos no cultivo, seja fertilizantes, pesticidas, herbicidas, etc. Biodinâmicos são isso e mais um pouco - são vinhos produzidos com uvas de vinhedos orgânicos e que obedeceram, em seu plantio e em seu cultivo, conhecimentos ancestrais que levam em consideração o equilíbrio da natureza, como as energias naturais do Sol e da Terra.
Não há nada de místico nisso. Produtores biodinâmicos tratam as videiras com chás e dinamizações de produtos naturais, como na homeopatia, conseguindo manter o equilíbrio ecológico de seu ecossistema. "A biodinâmica não é apenas um novo modo/velho modo de se produzir vinhos, mas uma filosofia de vida", diz Ariel Pérez. Mas, por incrível que pareça, tanto os orgânicos como os biodinâmicos podem não ser vinhos naturais - estes têm uma exigência adicional: não usar produtos químicos ou artificiais também na fermentação e no envase, nem mesmo o inocente SO2 (anidrido sulfuroso - enxofre). Alguns biodinâmicos usam uma pequena quantidade de enxofre como conservante - mas deixam isso claro no rótulo, o que reforça sua honestidade de propósitos. Dito isto, vamos aos trabalhos.
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| Ariel Pérez, sommelier da Casa do Porto, especialista em dinâmicos, fez a seleção de rótulos degustados por Go Where |
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| Quatro brancos e dois tintos compuseram o cast de biodinâmicos de diversos países provados na Casa do Porto |
O DNA dos biodinâmicos
Já bebericando o primeiro exemplar, um branco alsaciano, o Pierre Frick Riesling 2004, nossos jurados se derramam em entusiasmo pela natureza dos biodinâmicos. Diz Ramatis Russo, sommelier do Barbacoa D&D: "Eles têm uma pureza de notas surpreendente no nariz, um ar de Campos do Jordão". Complementa Renato Frascino, o mais famoso analista sensorial de São Paulo: "Eles são tão transparentes que dá para enxergar o DNA do vinho. É a pureza de um nenê recém-nascido - e sem talco". O enófilo Didú Russo, fundador da Confraria dos Sommeliers e editor do melhor site/blog de vinhos do país, resume: "O processo biodinâmico é o único modo de preservar o terroir como a natureza o fez, sem interferência humana.
Hoje existem vinhos que já vêm do produtor com aromas terciários - sinal evidente da interferência do enólogo". Todos gostam muito dessa naturalidade", "originalidade", "autenticidade" dos biodinâmicos. Que começam a "incomodar" os vinhos convencionais. Tanto que hoje já se fala em outro conflito - em vez de Novo Mundo X Velho Mundo, que já perdeu sua razão de ser, o duelo agora é Terroir X Globalização. E a prova do número 1 só confirma, no nariz e na boca, essas teorias. Ele vem com tampa de cerveja, não rolha. E a "autenticidade" da expressão do terroir é notada pelos jurados por sua mineralidade. Diz Ramatis: "Tem mineral intenso, me lembra benzina, cheiro de avião.
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Uma doçura no nariz". Didú Russo: "Muita untuosidade, lamparina de querosene, denso, flor de erva-doce, mineral, espetáculo". Sonia Denicol, presidente da ASAA, Associação de Sommeliers Alunos e ex-Alunos do Senac, já pensa na harmonização: "Um vinho que pede comida leve - um peixe grelhado com legumes. E tem um ótimo equilíbrio entre aroma e boca - esta confirma aquele, o que não é comum em vinhos convencionais". Frascino complementa essa proposta de harmonização: "A cremosidade dos ácidos totais desse vinho combinaria bem como um espaguete ao vôngole". E olhe que estamos apenas no número 1.
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