Entrevista Gael Greene
 A crítica insaciável
Uma mulher e um chapéu - Gael Greene é uma figura. Pioneira da crítica gastronômica dos EUA, pela revista New York Magazine, onde resenhou restaurantes por 40 anos, ela esteve em São Paulo e aqui explicou por que é chamada de insaciável - na mesa e na cama Por Celso Arnaldo Araujo Fotos Thais Antunes
No Brasil, ela passaria - como passou - despercebida comendo um pastel de bacalhau no Mercado Municipal. Nos Estados Unidos, Gael Greene é uma lenda viva - foi a primeira mulher a ocupar uma posição de destaque como crítica de restaurantes em Nova York.
Afastada da revista em novembro último, depois de ter analisado 18 mil restaurantes em 40 anos, Gael hoje faz resenhas para seu blog - Insatiable-critic. Mesmo título, aliás, de sua autobiografia, lançada há dois anos.
E insaciável, no caso, não apenas pelo aspecto gastronômico - como pelo amoroso. Gael, hoje com 76 anos, narra no livro suas aventuras amorosas com pelo menos duas outras lendas do show business - Elvis Presley e Clint Eastwood -, três chefs de cozinha e três donos de restaurante. Ela justifica: comer e fazer amor é aproveitar os grandes momentos, não pensar no que vem depois.
Gael falou a GoWhere Gastronomia em São Paulo, onde esteve para participar do evento Paladar, Cozinha do Brasil, promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo, e posou para as fotos com sua marca registrada - o chapelão cobrindo metade da cara. Item fundamental para alguém cuja atividade obriga ao anonimato.
Como foi sua experiência gastronômica aqui?
No mercado, tive a chance de provar frutas que eu nunca tinha visto, a não ser no Vietnã. Mas preciso de um guia para saber o que comi e o nome de cada fruta. Só lembro do gosto. Os americanos têm grande interesse pelas frutas tropicais. Mas aí subimos no andar de cima para comer salgadinhos - e achei tudo terrível. Comi um "pastal" que parecia ter sido frito há três dias.
À tarde fomos ao restaurante daquela árvore grande (Figueira Rubaiyat) e comemos peixes locais. Comi um peixe no ponto, gosto de peixe mal passado. E a carne era melhor do que qualquer uma em Buenos Aires. Fui ao Mocotó e sa sopa de favas e tutano (mocofava) já valeu as duas horas de viagem até lá. Fomos também ao D.O.M. Serviço extraordinário.
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"Não lembro de algum restaurante que tenha fechado por causa de uma crítica minha. Um restaurante fecha porque é ruim - e eventualmente eu posso ter dito isso em minha crítica"
Consultando o menu do café do Hyatt Hotel, em São Paulo, onde ficou hospedada, Gael Greene posa para GoWhere com sua marca inconfundível, o chapéu. O anonimato é garantia de uma crítica isenta |
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