Chás Na contramão do cafezinho
 Chá com prazer Por Lilian Anazetti Fotos Piti Reali
Maior especialista em chás do Brasil, Carla Saueressig trabalha para divulgar a cultura da bebida que nasceu no Oriente e cada vez mais conquista o paladar dos brasileiros. Sua charmosa Loja do Chá em São Paulo, franquia da alemã Tee Gschwendner, oferece 250 opções, além de louças e acessórios para o ritual, e doces e comidinhas que levam em suas receitas o leve toque dos mais variados sabores, como o brigadeiro com chá preto e óleo de bergamota. Nesta entrevista à GWG, a charóloga fala sobre chás e gastronomia, os benefícios da bebida, a melhor forma de degustá-la e como o país do cafezinho vem descobrindo o "chá prazer" - que não tem a nada a ver com o chá-remédio
Esbanjando simpatia, a especialista em chás Carla Saueressig nos recebe em sua loja no Shopping Iguatemi para um bate-papo sobre essa saborosa e milenar bebida. E como não poderia deixar de ser, para acompanhar, o garçom a serviu com duas xícaras de sabores distintos - que chegaram à mesa ao mesmo tempo e duraram até o final da entrevista. Entre um gole e outro, Carla começou explicando sobre sua paixão pelos chás. "Minha mãe sempre foi preocupada com cultura gastronômica. Ela brincava: 'quando você viajar e não tiver dinheiro para ficar num bom hotel, tenha pelo menos algum para visitar os bons restaurantes'. Chegou até a nos levar a uma reserva de índios para experimentar a gastronomia típica. Essa sua obstinação por nos ensinar a importância das tradições culinárias foi o caminho que me levou aos chás ", conta a especialista, que é formada em Nutrição e Educação Física e há dez anos se dedica à vida de empresária, no comando da Loja do Chá, uma franquia da alemã Tee Gschwendner.
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Entre as 250 opções de chás vendidas na loja, algumas são bem especiais, como o chá verde com jasmim, enrolado à mão; o yin zhen e o oothu, colhido em meio às plantações indianas de cardamomo |
Conhecia a fama das marcas alemãs, fui para lá e mostrei para a Gschwendner o interesse em abrir uma franquia no Brasil. Fiz o curso com o Thomas Holz, consultor da rede e uma das pessoas que mais entende do assunto no mundo". Atualmente, ela tem três lojas da marca, duas em São Paulo e uma em Brasília, e é consultora da rede para o Brasil e América Latina.
No país do cafezinho, a Loja do Chá ainda é um empreendimento diferenciado, que faz parte de um mercado novo, recém-descoberto pelos brasileiros. "Aqui no Brasil, as pessoas têm a mania de associar chá a remédio; café, a prazer. É comum escutar de clientes, 'só tomo chá quando estou doente' ou, quero um chá para dor de barriga, para resfriado. Trata-se mesmo de uma questão cultural, por isso difícil de mudar. Mas, aos poucos, isso está acontecendo. Eu sempre digo: aqui eu só vendo chá prazer", explica Carla. Deixando de lado a paixão para falar de negócios, a empresária confessa ter demorado para encontrar a receita certa para o sucesso."Hoje, depois de dez anos no ramo, consegui definir como deve ser a cara da loja para gerar receita". Além dos 250 tipos de chás a granel - vendidos em gavetinhas e organizados numa estante com mais de cinco metros - a Loja do Chá oferece um confortável espaço com mesas e cardápio para se provar, ali mesmo, diversas opções, além de comidinhas como sanduíches e doces. Há ainda um espaço voltado para a venda de utensílios e louças típicas.
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