Teste Cervejas importadas premium
 O teste das cervejas com pedigree Por Celso Arnaldo Araujo Fotos Daniel Cancini
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Cervejólogos
No Bar do Alemão em São Paulo, os jurados Renat Frascino, Herbert e Joubert Steiner, Eduardo Passarelli e Cesar Adames, com Camila Azevedo e a professora Tatiana Spogis |
De trigo e dos monges
As últimas quatro cervejas premium aguardam os jurados, que ainda têm disposição para degustar os múltiplos sabores de louras e morenas de alto requinte. A número 5 é rolhada, a exemplo da primeira. Trata-se da Unibroue Blanche de Chambly, do Canadá, uma Ale (alta fermentação) de estilo Witbier (predominância de malte de trigo, com adição de condimentos como coentro e casca de laranja). Primeira impressão: espuma abundante.
A coloração é pálida e turva, como convém às Wit ou Blanches. Frascino destaca as notas de cravo e banana. Eduardo: "Bastante resfrescante, condimentada, não é um estilo que me agrada". Herbert também se diz "não muito fã"da Witbier. Já Cesar Adames observa a persistência aromática e o gosto residual - característica importante para quem está bebendo sozinho e pretende que uma garrafa dure por uma hora, gole a gole.
A próxima é uma amostra de um dos estilos mais refinados, embora ancestrais, de produzir cerveja - a cerva trapista. A La Trappe Dubbel, escura holandesa, é digna representante da bebida produzida há séculos pelos monges da ordem trapista da Bélgica. Alguns a acham realmente divina. Para Frascino, o primeiro gole evoca "bananinha de Paraibuna". Ele confessa seu entusiasmo: "Adoro". Mas Herbert não comunga dessa impressão: "Não é meu tipo. Um pouco amarga demais, para quem bebe pouco - o que não é meu caso". Adames observa que o aroma é melhor do que o paladar.
Altos teores
As duas últimas cervejas degustadas impressionam pela potência - ambas têm 9% de teor alcoólico. Não se percebe essa gradação no ato - mas eles derrubam, se não houver moderação. A número 7 é uma Urthel Hibernus Quentum, também da Holanda - Strong Ale clara, igualmente rolhada. Extrema-mente aromática, seu teor alcoólico, segundo Eduardo, é "bem inserido" no contexto.
"Uma boa pedida para beber a dois, no Dia dos Namorados", sugere Frascino. Sem dúvida, uma cerveja gourmet, de baixa "drinkability", que não é para se beber na praia ou com o umbigo encostado num balcão de boteco. O alto teor, nesse caso, é fornecido pela adição de matérias-primas, não pelo açúcar, como nas cervejas fortes e baratas. Herbert acha que a Urthel, embora branca, parece com a trapista - tem menos persistência na boca.
Adames diz que ela dá uma sensação de saciedade. "Complexa, é praticamente um alimento". Reforça Frascino: "Um pão líquido". Enfim, a número 8 - uma Unibroue Trois Pistoles, do Canadá. Outra Strong Ale - mas escura, produzida sob alta fermentação. "Complexa, parece compota de frutas", diz Eduardo. "Interessante, mas não surpreendente", finaliza Adames. Herbert Steiner vê nela uma "grande quantidade de informações sensoriais". Frascino aplaude: "A mais completa de todas, com uma acidez maravilhosa".
Resumindo nossa degustação: o teste das cervejas premium muda o velho conceito de que cerveja é "tudo igual". A descoberta de inúmeros estilos, para agradar os mais diferentes paladares, está fazendo da cerveja uma bebida gourmet - como o vinho. "E com uma vantagem", completa Eduardo. "Não depende de terroir, como o vinho"
Serviço
Bar do Alemão: Alameda Juriti, 651 Moema - tel.: 5052 8333
As oito cervejas são importadas pela Bier & Wein, Tel. 5641 6669 www.buw.com.br |
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