Caderno Especial Vinhos
 La Dolce Vita Por Celso Arnaldo Araujo _ Fotos de Daniel Cancini
A nova paixão brasileira pela enofilia está reabilitando alguns tipos de vinho que antes gozavam de má fama - justamente porque não eram muito consumidos. Um deles é o rosé, que deixou de ser vinho de moça para agradar os paladares masculinos mais sofisticados. O outro é o vinho de sobremesa, que também tinha o preconceito de ser vinho para iniciantes que ainda não conseguem perceber a complexidade dos tintos secos. A coisa mudou. Vinhos doces ainda não estão em todas as mesas - mas os enófilos de carterinha fazem questão de destacar sua absoluta propriedade na harmonização com frutas secas, queijos azuis e, sobretudo, foie gras - sem falar em doces, como convém. Para descobrir as múltiplas possibilidades sensoriais desse produto, Go Where reuniu seu time de analistas em torno de seis vinhos brancos de sobremesa do primeiro time - três franceses, um italiano, um canadense e um chileno. O resultado foi uma doce surpresa.
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Nosso júri degusta seis vinhos doces cheios de prazeres no aroma e no paladar
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Degustação que se preza não pode ser "a seco" - e enquanto nossos jurados aguardam a suculenta picanha do Ladrillo que antecederá a panqueca de doce de leite e os seis objetos do teste, nossos analistas vão tecendo considerações sobre os vinhos de sobremesa. O publicitário Didú Russo, fundador e atual vice-presidente da Confraria dos Sommeliers, um dos mais requisitados degustadores do País, comenta que o vinho doce, embora venha sendo descoberto pelos brasileiros nos últimos tempos, ainda tem baixo consumo entre nós, comparado aos tintos.
Uma das razões é de ordem prática. Como o vinho de sobremesa geralmente só é tomado ao final da refeição, quando os comensais já
se preparam para cruzar os talheres e se levantar da mesa, raramente se bebe mais do que uma taça - mesmo porque, trata-se de um vinho com alto teor alcoólico, beirando os 15%. Para justificar o pedido de uma garrafa - mesmo que seja meia, como os vinhos doces costumam ser apresentados - é preciso portanto que toda a mesa esteja a fim dele, o que nem sempre acontece.
De qualquer forma, como observa o analista sensorial Renato Frascino, as harmonizações enogastronômicas estão reabilitando o vinho doce - entre os especialistas, é quase unânime a opinião de que a mais incrível de todas as harmonizações é foie gras com vinho de sobremesa, preferencialmente os produzidos na região francesa de Sauternes - que está para os vinhos de sobremesa como Bordeaux e
Borgonha para os tintos. Aliás, falando em região produtora, o lendário gourmet e enófilo Clovis Siqueira, outro jurado de Go Where, comenta que o terroir para vinhos de sobremesa é particularmente caprichoso - alternando necessariamente calor e frio e apresentando um nível de umidade que faça pelas uvas o que nenhum açúcar faria. Aliás, é o momento de nossos degustadores explicarem por que um vinho pode ficar doce, quase licoroso.
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