Temperos da metrópole | Irene Ravache
 Sem reservas Por Eloísa Rangel Fotos Daniel Cancini
Simpática e muito bemhumorada, a atriz recebeu GW Gastronomia no camarim do Teatro Cosipa, em São Paulo, para revelar suas preferências culinárias – justo no momento em que interpreta uma chef de cozinha na peça A Reserva – sobre a história de Vera, uma mulher batalhadora, que depois da morte do marido resolve abrir um restaurante para continuar sustentando a família, mas pensando mais na qualidade do que na rentabilidade. Fora do palco, Irene resume, com uma frase ouvida de sua avó, como encara o prazer de comer e cozinhar: “Mesa não envelhece”
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| Momentos antes de o espetáculo começar, Irene faz o próprio make no camarim. No palco com os colegas Patricia Gasppar e Evandro Soldatelli, arranca boas risadas do público. A atriz posa para GW Gastronomia |
Você acredita que hoje em dia é possível manter um restaurante seguindo os princípios da sua personagem, ou seja, sem se deixar levar pelas tendências do mercado?
Acredito que é difícil você se manter em qualquer mercado de trabalho hoje em dia, porque é preciso ter sinergia, muito jogo de cintura e entender o que realmente está acontecendo para tentar fazer uma adequação ao que você tem. Porque, com essa globalização e a rapidez que vivemos hoje, se você ficar muito purista, corre o risco de ser colocado de lado. Mas também não se pode dizer sim a tudo em nome de um lugar melhor. O segredo é esse equilíbrio entre você coordenar e conjugar aquilo o que você gosta e aquilo que é uma imposição. A gente precisa ter muita convicção na hora de dizer não.
| “Se eu um dia tivesse um restaurante, ele se chamaria Couvert e Dessert. Porque são as coisas que eu mais gosto” |
Ao escrever o texto do espetáculo, Marta Góes diz ter se inspirado nas mulheres que fazem da comida uma forma de se expressar. Você também acredita que o ato de cozinhar é uma maneira de se relacionar com o mundo?
Eu não tenho a menor dúvida. Porque comer é uma coisa, se alimentar é outra. Os animais se alimentam. O bebê tem fome e ele se alimenta. De certa forma, todo mundo se alimenta. Mas quando você faz do ato de comer um momento de aproximação, isso é diferente – e muito bonito. As mulheres que conseguiram criar o ambiente de uma mesa gostosa e acolhedora dentro de casa têm um envelhecimento mais simpático, mais afetuoso, porque as pessoas são fisgadas pelo estômago. Tanto que a gente sempre lembra daquela receita da avó, da tia. Eu lembro que a minha avó fazia uma carne assada, que, evidentemente, deve ser igual a toda carne assada que alguém faz. Mas você guarda aquele cheiro da carne assada da casa da sua avó, não apenas porque era bom, mas pela atmosfera que tinha. Esse mesmo cheiro dentro de uma casa com brigas não seria uma recordação boa.
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