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Conversa de Chef
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Um Prato Cheio de Negócios


Negócios milionários têm agitado o mercado gastronômico de São Paulo. Empresas estrangeiras, como o fundo americano Advent, já abocanharam grifes paulistanas de peso, como o grupo Viena - e planejam abocanhar outras redes. Por que o gastrobusiness desperta tanto apetite dos investidores?


Por Janaína Pellegrini

foto: guilherme alaïa foto:divulgação
Roberto Bielawski, fundador do grupo Viena (acima o V.Café, no Conjunto nacional), recebeu uma proposta irrecusável pela rede, que agora pertence ao fundo Advent. Bielawski ficou com a rede Ráscal - outra jóia do mercado gastronômico

Foi-se o tempo em que a família brasileira se reunia diariamente em casa para as refeições. A correria imposta pelo mundo moderno, a falta de tempo e o excesso de trabalho têm mudado de forma expressiva os hábitos gastronômicos das pessoas, que passaram a comer fora com muito mais freqüencia. Segundo a Associação Brasileira de Alta Gastronomia (ABAGA), cerca de 350 mil pessoas fazem suas refeições na rua de segunda a quarta-feira e 1 milhão de quinta a domingo, números só da capital paulista. E paga-se caro por uma refeição. Em média, uma pessoa gasta entre 20 e 50 reais em um almoço. No ano passado, o setor de alimentação fora do lar no país atingiu cerca de 61 bilhões de reais em faturamento. Um quarto de toda a comida comprada no Brasil é consumidoa fora de casa e a tendência é que esse percentual se aproxime dos 50% registrados nos EUA, segundo a ECD, consultoria especializada em Food Service. Ou seja, é um prato cheio para negócios.

foto: daniel canc ini
Arri Coser e Belarmino Iglesias, dois gigantes do mercado do churrasco. Arri vendeu parte de seu negócio para um grupo de inevstidores, mas continua à frente da fantástica expansão da marca Fogo de Chão no Brasil e nos Estados Unidos. Mas Belarmino, que há 50 anos faz sucesso com a marca Rubaiyat, ainda resiste. "Nosso negócio é restaurante"

Sem esperar pela sobremesa, um dos maiores fundos de private equity em operação no país, o americano Advent, investiu forte no setor de alimentação abocanhando vários restaurantes brasileiros. Em menos de um ano, ele montou um saboroso cardápio, ao comprar a brasileira RA , donas das marcas Brunella e Black Coffee, líder nos aeroportos de Guarulhos e Congonhas, em São Paulo, e a cadeia de cafés e restaurantes Viena. Representado pelo holding International Meal Company (IM C) no Brasil, estima-se que a Advent tenha cerca de um bilhão de dólares já captados para investir na América Latina. Especula-se também que o apetite da empresa americana para este negócio seja enorme. Já foram sondados pela Advent grifes de destaque do segmento de alimentação, como os restaurantes America, o Almanara, especializado em cozinha árabe, o Frango Assado, rede presente em várias rodovias paulistas, e o Rubaiyat, famosas churrascarias de alto padrão. "Houve o assédio sim. E a proposta era a compra total ou parcial. Mas acho que não sabemos fazer negócios a não ser restaurantes. Nossa operação é artesanal, pessoal e toda a família trabalha unida", diz Belarmino Iglesias, o fundador do Grupo Rubaiyat, que está há 50 anos no mercado. E disse não à proposta.

Em geral, os fundos de investimento optam por investir em empresas familiares. Eles compram, arrumam a gestão, reduzem custos e, como resultado, conseguem triplicar o faturamento. No Brasil há grande espaço para a consolidação deste setor. O país possui 750 mil bares e 360 mil restaurantes. E 80% dos estabelecimentos são gerenciados por famílias."As empresas estrangeiras estão investindo no país porque o dólar está baixo e a economia estável. A rotatividade deste setor é grande. Um bar ou um restaurante tem um prazo de vida de seis meses. De 58 que abrem por mês, 57 fecham, ou seja, somente um sobrevive", analisa Jorge Monti, consultor de gastronomia e presidente da ABAGA , ressaltando o benefício do negócio. "As empresas estrangeiras colocam profissionais capacitados e quem não é profissional deixa o mercado".

fotos: danniel cancini
O Almanara, restaurantes de comida árabe fundada por Zuhair Cury nos anos 40, tem sido cobiçado por investidores estrangeiros. Mas brasileiros também estão apostando no crescimento do mercado. O Well's acaba de chegar a São Paulo

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