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Cozinha dos famosos
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Olivier Anquier


O padeiro Olivier Anquier conta suas aventuras de 10 anos percorrendo 21 estados brasileiros, no teatro em um belíssimo livro


Por Nara Bianconi

Olivier Anquier, 48, passou 20 deles morando na França, onde nasceu. Vendeu frutas e verduras na rua, freqüentou seminários jesuítas, veio passar férias no Brasil, virou modelo, se apaixonou e por aqui ficou. De lá para cá fez história e se tornou referência no mercado de panificação – hoje vende seus pães para mais de 28 lojas. Abriu restaurante, padaria, e tornou-se, há dez anos, apresentador de televisão. Na telinha traz sempre maneiras interessantes e descomplicadas de cozinhar no dia-a-dia. A bagagem adquirida – some ainda a experiência como pai de dois filhos – acaba de virar livro e peça de teatro. No primeiro ele conseguiu reunir histórias e receitas adquiridas nesses anos todos viajando ao lado de seu famoso Fusca 62, e ainda aproveitou para publicar algumas fotografias inéditas que tirou em suas andanças. No teatro vem convidando o público a subir no palco para aprender na prática a cozinhar de uma maneira bastante didática e divertida. E na vida particular acaba de comemorar o final de um longo processo burocrático para finalmente receber sua tão almejada cidadania brasileira

“Meu olhar de estrangeiro me permite ver as coisas com mais interesse. Como realmente me encanto com o que descubro acabo surpreendendo o púlbico”

Vamos começar do início. De onde veio a idéia de fazer o programa de televisão?
Ele veio da união de duas experiências. Eu queria criar o meu espaço dentro da televisão brasileira fazendo algo que ainda não existisse. Comecei na Record fazendo um programa clássico de culinária a convite da emissora. Um pouco depois, na Copa do Mundo de 98, fui para a Globo apresentar a França como repórter em um formato bem divertido. Consegui mostrar meu país de uma forma bem peculiar. Com essas duas experiências propus ao GNT um formato de programa em que eu viajasse em busca de novidades. Meu olhar de estrangeiro me permite ver as cosias com mais interesse. Me surpreendo mais facilmente e é isso que eu gosto de mostrar. Como o fato realmente me encantou, acabo surpreendendo o público também.

E tem alguma história que te marcou?
Não dá para diferenciar muito as histórias. São todas marcantes de alguma forma. Fui homenageado por um bloco carnavalesco no Cristo Redendor, no Rio de Janeiro, em 2002 e isso foi extremamente emocionante. Quer dizer, vim da França para cá há 28 anos e de repente meu nome e minha história estavam sendo cantadas pelos brasileiros. Fiquei todo orgulhoso e me senti reconhecido. Isso só faz bem. Porque tudo o que faço é feito com amor e paixão.

E o livro que acaba de lançar – Diário do Olivier, 10 anos de viagem em busca da culinária brasileira – foi uma forma de recontar todas essas histórias que viveu?
Sim. O livro foi construído em dez anos. É um diário, com formato de diário. São minhas anotações de todos esses anos sem pretensão literária alguma. As fotografias são todas minhas – que é uma outra grande paixão que aprendi com o meu pai, assim como cozinhar. Publiquei todo meu acervo fotográfico de todas essas viagens. Nunca havia mostrado essas fotografias. Aproveitei o aniversário de uma década para juntar tudo: minhas interpretações de receitas, minhas histórias e minhas imagens.

Foi difícil selecionar as receitas para o livro?
Foram dez anos vivendo essas receitas, então sabia muito bem qual era o material que tinha nas mãos. Procurei as que ilustrassem melhor todo esse tempo e que fosse bem aceitas dentro da casa dos leitores.

Passou por todos os estados brasileiros?
Não fui para o Amapá, Rondônia, Maceió, Acre e Alagoas. Mesmo porque ainda tenho muitos anos pela frente para continuar com o programa, né? (risos)

Além de cozinheiro de mão cheia você tem se saído um bom contador de histórias. O que gosta mais de fazer?
Acho que um não vai sem o outro. Eu adoro lugares, pessoas, objetos que contem histórias. Gosto de estar em um lugar e sentir que ali tem algo para se contar. Minha maneira de cozinhar é uma maneira da estar dentro da história e consegui aliar os dois.

E trouxe tudo para o teatro agora?
Esse espetáculo – Olivier, Fusca e Fogão – surgiu junto com o livro para comemorar os dez anos do Programa do Olivier. Paralelamente a esse trabalho eu percorri o Brasil apresentando palestras e aulas-show. Já dei palestras para 1.400 pessoas apresentando minhas receitas sem nenhuma parafernália que tenho no teatro. Sem luz, marcação, projeção ou trilha sonora. Tinha de segurar um público numeroso no gogó por duas horas. No final do ano passado um amigo meu, o Pedro Matar, assistiu a uma dessas aulas no Paraná e achou que eu tinha que transformar aquilo em um espetáculo. Juntei isso à minha saga de explorador da culinária do País e fizemos o espetáculo. O Pedro virou o roteirista e fizemos o show. O roteiro é feito de marcações que aliam as minhas palavras às projeções, mas não há um texto propriamente dito, cada dia acontece uma improvisação diferente. Eu não interpreto ninguém e os personagens mudam todo o dia porque pessoas da platéia interagem comigo no palco. Escolhemos juntos uma receita e colocamos a mão na massa. Tudo pode dar errado ali e o bacana é justamente contornar os imprevistos e improvisar ao lado do público.

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