Samurais da alta cozinha
 Com a faca e o peixe na mão
Jun Sakamoto, Tsuyoshi Murakami e Adriano Kanashiro, cada um ao seu estilo, são hoje os chefs mais incensados do Brasil quando assunto é a alta gastronomia japonesa Por Aroldo de Oliveira Foto Mauro Holanda
 |
Mura na moderna cozinha do Kinoshita, casa que comanda na Vila Nova Conceição e onde faz pratos que são verdadeiras iguarias da culinária japonesa |
Se você, leitor, ainda não foi ao Kinoshita, cuja estrela é o chef Tsuyoshi Murakami, está perdendo o show. Isso mesmo, o show. Mura, como é mais conhecido, além de ser um gênio da gastronomia japonesa, tem outros talentos - o primeiro deles é receber a abastada clientela do restaurante sempre com um largo sorriso. "Isso vem de berço, e também da minha experiência de vida. Faço terapia há muitos anos e este jeito de ser é fruto do meu amadurecimento constante, do meu autoconhecimento e, acima de tudo, de meu espírito marqueteiro", diz Mura. Marketing? "Claro, marketing, brother.
 |
Só que no bom sentido, pois faço isso porque gosto e não somente pelas aparências", comenta ele, com um persistente sotaque carioca. Murakami nasceu no norte do Japão, região de Hokaido. Veio para o Brasil muito jovem e morou anos no Rio de Janeiro. "Tive uma infância e adolescência muito intensas. Acho que o carioca tem uma dinâmica de vida diferente, é mais direto, mais liberto", enfatiza, em tom até poético. A poesia, aliás, assim como as artes em geral, sempre fez parte da vida de Mura.
O chef fez curso de teatro, canta como um profissional dos palcos e estes talentos, ora ou outra, chamam a atenção dos clientes do Kinoshita. De vez em quando, ele dá verdadeiros shows no salão da casa, isso, claro, sem descuidar o olho da modernosa cozinha do KInoshita - que é totalmente às vistas dos clientes e de onde saem as iguarias criadas por Mura, fruto de sua incansável pesquisa por técnicas e produtos.
"Adoro papo cabeça"
Murakami divide seu tempo de lazer entre a família, a música, a leitura e os amigos. Adora escutar um bom jazz erudito e, quando o assunto é cinema, curte a nouvelle vague da sétima arte japonesa e francesa. "Neste filmes, a dor e a tristeza estão na mesma zona boa da felicidade, e isso faz parte da vida. Também estou lendo agora um livro simplesmente fantástico de Edgard Morin, cujo título é Os 7 Saberes para a Educação do Futuro, muito bom para integrar o conhecimento e mudar sua visão de mundo", termina.
PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | 4 | Próxima >> |