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Conversa de Chef
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Francisco Everaldo da Silva

Dom para a cozinha Portuguesa


O chef do Bacalhoeiro, Francisco Everaldo da Silva, prova que a perseverança e o talento estão sempre acompanhados de boa dose de criatividade e olho aberto para as oportunidades


Por Alexandre Staut Fotos Daniel Cancini

O cearense Francisco Everaldo da Silva, de 29 anos, bem que podia ser uma espécie de embaixador da cozinha portuguesa no Brasil. Basta ver seu currículo. Trabalhou por seis anos no Antiquarius, formou as brigadas do A bela Sintra, onde permaneceu por três anos; no Trindade, chefiou a equipe de cozinheiros por mais de dois anos; e agora está à frente da cozinha do Bacalhoeiro, novo português da cidade, no Tatuapé.Discreto, com sorriso tímido, ele conta que a cozinha entrou na sua vida por acaso, dois dias depois de pisar em São Paulo, onde chegou em 1997. "Tinha um primo que trabalhava no Antiquarius e acabei pedindo emprego para ele. Quando me dei conta, estava lavando panelas naquela cozinha enorme", diz. Ao acompanhar os movimentos dos cozinheiros carregando postas de bacalhau fresquinhas, foi aprendendo o ofício de chef e, 15 dias depois, ao tomar conhecimento de que um cozinheiro deixaria a casa, deu o grande salto profissional de sua vida. Convenceu o gerente do restaurante de que devia ir para o fogão.

"Apesar de ver minha mãe cozinhar na infância, nunca tinha pisado numa cozinha até o dia que me disseram que podia, sim, ir para o fogão do Antiquarius. Fiz dois ou três pratos e aprovaram meu tempero, disseram que tinha talento, resolvi então investir naquela que seria minha profissão", diz ele.

Se quando começou a cozinhar de fato nunca tinha visto um polvo, bicho que lhe meteu medo. Mas em poucos meses, mostrava que tinha jeito para o ofício.

Com simplicidade e muito talento, permaneceu por seis anos na casa, até que foi convidado a comandar a cozinha do A bela Sintra, de Carlos Bettencourt, outro português chique da cidade". Quando me dei conta, estava chefiando uma brigada de cozinheiros", diz ele. Nesse momento, ele já sabia muito bem como agradar seus clientes com uma cozinha portuguesa caprichada e, mais do que isso, já sabia fazer variações de pratos da clássica culinária lusitana. "Devo tudo o que consegui à minha boa vontade em aprender", diz categórico o chef que hoje ensina jovens talentos a cozinhar, entre os quais o irmão, que também trabalha no Bacalhoeiro.É nesse restaurante amplo e agradável que Silva mostra hoje o que ele chama de "dom da cozinha". Faz bonito na casa e supervisiona até mesmo os pães servidos no couvert, assados por sua equipe de 16 pessoas.

Alheira aperitivo, lulas ao Tejo, frigideira de polvo com sal grosso, pasteizinhos de bacalhau, além das nove opções que levam o peixe, entre elas, a bacalhau do Manuel (posta de bacalhau frita no azeite, com brócolis e batata); à Lagareiro, com batatas ao murro (posta de bacalhau dourada no azeite acompanhado de batatas assadas, alho, cebola, brócolis e azeitonas verdes) e o tradicional à Gomes de Sá estão entre os pratos que Silva serve na casa, além de arroz de cordeiro à Trás-os-Montes (Cordeiro desossado, refogado com cebola, alho e vinho branco com legumes); perna de cordeiro com feijão branco (paleta de cordeiro marinada no vinho, cebola, alho, colorau, e assada no forno), entre outros.

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